
No Meu Balaio Tem Histórias é um espetáculo inspirado no balaio tradicional utilizado pelos pescadores caiçaras para transportar o peixe pescado, ressignificando esse objeto cotidiano como um verdadeiro baú de memórias, narrativas e saberes populares. A obra parte da simbologia do balaio como recipiente de histórias, afetos e experiências acumuladas ao longo do tempo, conectando o público ao universo cultural caiçara por meio da oralidade, da memória e da presença cênica.
Conduzido pelo Mestre Caiçara Henrique Cardim, o espetáculo se estrutura a partir de um gesto simples e profundamente simbólico: dentro do balaio estão diversos objetos, e cada objeto retirado torna-se o ponto de partida para uma nova história nascer diante do público. Esses objetos funcionam como gatilhos de memória, abrindo caminhos para causos, lembranças, lendas e experiências da vida caiçara, que emergem de forma viva, espontânea e interativa, revelando saberes populares, humor, poesia e ancestralidade.
Assim como o pescador lança sua rede ao mar em busca do peixe, o artista lança histórias ao público, criando uma experiência afetiva que entrelaça tradição, imaginação e identidade cultural. As narrativas revelam modos de viver, práticas culturais, valores comunitários e a relação profunda entre o ser humano, o mar e o território, evidenciando a oralidade como uma das principais formas de transmissão de conhecimento nas comunidades tradicionais.
Cada objeto retirado do balaio é um convite à escuta, à memória e à emoção. O público é convidado a rir, lembrar, reconhecer-se nas histórias e compreender que narrar é também um ato de preservação cultural. Ao transformar o balaio em um espaço simbólico de partilha, o espetáculo reafirma a importância das histórias como patrimônio imaterial e como ferramenta de manutenção da identidade caiçara.
No Meu Balaio Tem Histórias propõe um encontro íntimo entre narrador e público, onde as histórias não são apenas contadas, mas compartilhadas como experiência viva, afetiva e coletiva. A apresentação valoriza a tradição oral, a imaginação e a memória como formas de resistência cultural, convidando o público a perceber que, assim como os objetos guardados no balaio, as histórias também precisam ser cuidadas, transmitidas e mantidas vivas ao longo do tempo.



Sobre Henrique Cardim
HENRIQUE CÉSAR DOS SANTOS CARDIM
DRT 42.121/SP
Artista de multilinguagem, contador de histórias, ator, artesão, palhaço, malabarista, dramaturgo, diretor teatral e diretor artístico da Cia. O Castelo das Artes, companhia que fundou em 2004 (inicialmente Grupo Fazarte, passando a adotar o nome atual em 2012). Caiçara de nascimento, pertencente a tradicional família caiçara do litoral norte paulista, construiu sua trajetória artística a partir do território, da oralidade e da escuta sensível de sua comunidade.
Há mais de 20 anos desenvolve pesquisa continuada sobre a Cultura Tradicional Caiçara, transformando mitos, lendas, causos, modos de vida e saberes ancestrais em espetáculos teatrais, performances, contações de histórias, ações formativas e projetos audiovisuais. A partir de depoimentos de mestres, pescadores e moradores antigos, construiu diversas dramaturgias autorais, utilizando objetos, práticas tradicionais e estéticas próprias como dispositivos cênicos, consolidando-se como referência na valorização e salvaguarda da cultura popular caiçara.
É criador do Sistema Esfera Teatral e do Teatro Popular Caiçara, metodologias e linguagens autorais voltadas à criação, formação e pedagogia do teatro popular. Sua formação artística inclui oito anos de estudos nas Oficinas Culturais de São Sebastião – SP, além de cursos e vivências com grupos e profissionais como Teatro das Epifanias, Magno de Teatro, Marcelo Denny e Trupe Olho da Rua.
Com a Cia. O Castelo das Artes, integrou por quatro anos consecutivos o Programa de Qualificação em Artes – Ademar Guerra, das Oficinas Culturais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, além de participar do Projeto Direções (2018). Em 2023, junto de sua companheira de vida e trabalho artístico, inaugurou a Casa dos Saberes e Fazeres, sede da companhia, dedicada à criação, formação e difusão cultural.
No audiovisual, participou dos filmes O Magnata e Rio Santos, e protagonizou o longa O Pescador. Atuou em diversos festivais no Estado de São Paulo, com destaque para o Festival Vermelhos (2022), além de mostras, circulações em escolas, espaços culturais e comunidades tradicionais.
Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas Moções de Aplausos e Reconhecimentos da Câmara Municipal (2014, 2017 e 2021), sendo esta última pelo reconhecimento como Mestre da Cultura Viva. Em 2022, recebeu a Moção de Reconhecimento Popular como Mestre Caiçara. Foi contemplado com o Prêmio Histórico em Produção Teatral, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo, conquistou o 1º lugar no Prêmio Trajetórias (São Sebastião) e obteve o 2º lugar no FECICA – Festival de Circo de Caraguatatuba.
Na capital paulista, atua como artista convidado da Cia. Teatro da Investigação, integrando o elenco do espetáculo O-Homem-Mega-Fone. Atua como professor de teatro, desenvolvendo ações formativas, e é Diretor Artístico do Canal Caiçara, plataforma dedicada à difusão da cultura tradicional, da arte popular e da memória caiçara.




