
Mitos e Lendas Caiçara é um espetáculo da Cia. O Castelo das Artes que leva aos palcos as narrativas orais, mitos e histórias populares da cidade de São Sebastião, valorizando o saber popular, a oralidade e os modos de vida da cultura tradicional caiçara. As cenas são inspiradas em pesquisas e depoimentos de moradores da região, reunindo relatos, memórias e histórias transmitidas de geração em geração.
A peça reúne as mais conhecidas lendas e mitos da cidade de São Sebastião, entre elas A Lenda do Amor, A Lenda do Boi que Falou, O Dia que o Santo Pecou, além de contos de lobisomem, de escravos e de pescador. As encenações evidenciam a simplicidade dos costumes, das falas e das relações cotidianas, utilizando sotaques e expressões antigas dos povos do mar que se perderam com o tempo.
De forma lúdica e divertida, o espetáculo resgata histórias contadas por caiçaras, passadas de pais para filhos e registradas em livros, reafirmando a importância da preservação dessas narrativas como patrimônio cultural imaterial. A proposta combina arte e entretenimento, estimulando a participação do público e a formação de plateia, aproximando crianças, jovens e adultos do universo cultural caiçara.
As apresentações têm classificação livre, com entrada franca, e os ingressos são disponibilizados uma hora antes do início das sessões, ampliando o acesso da comunidade às artes cênicas e à cultura local.
A Lenda do Amor
A Lenda do Amor integra o repertório de narrativas tradicionais da cidade de São Sebastião e é apresentada no espetáculo como uma história transmitida pela oralidade e pela memória popular. A encenação dialoga com os sentimentos, crenças e valores da cultura caiçara, revelando aspectos simbólicos da relação entre as pessoas, o território e o imaginário local.
A Lenda do Boi que Falou
A Lenda do Boi que Falou é uma das histórias populares reunidas na obra e traz elementos do imaginário coletivo caiçara, mesclando religiosidade, fantasia e cotidiano. A narrativa evidencia o caráter simbólico das lendas e sua permanência na memória das comunidades tradicionais.
O Dia que o Santo Pecou
O Dia que o Santo Pecou apresenta uma narrativa que dialoga com o universo religioso e as crenças populares, expressando a forma como o sagrado e o cotidiano se entrelaçam na cultura caiçara. A história integra o conjunto de mitos que revelam valores, humor e visões de mundo transmitidas oralmente.
Contos de Lobisomem, de Escravos e de Pescador
Além das lendas, o espetáculo reúne contos de lobisomem, histórias ligadas à memória da escravidão e narrativas do cotidiano dos pescadores. Esses relatos evidenciam o imaginário, a memória histórica e as práticas culturais do território, destacando a oralidade como instrumento fundamental de transmissão de conhecimento e identidade cultural.




Sobre Henrique Cardim
HENRIQUE CÉSAR DOS SANTOS CARDIM
DRT 42.121/SP
Artista de multilinguagem, contador de histórias, ator, artesão, palhaço, malabarista, dramaturgo, diretor teatral e diretor artístico da Cia. O Castelo das Artes, companhia que fundou em 2004 (inicialmente Grupo Fazarte, passando a adotar o nome atual em 2012). Caiçara de nascimento, pertencente a tradicional família caiçara do litoral norte paulista, construiu sua trajetória artística a partir do território, da oralidade e da escuta sensível de sua comunidade.
Há mais de 20 anos desenvolve pesquisa continuada sobre a Cultura Tradicional Caiçara, transformando mitos, lendas, causos, modos de vida e saberes ancestrais em espetáculos teatrais, performances, contações de histórias, ações formativas e projetos audiovisuais. A partir de depoimentos de mestres, pescadores e moradores antigos, construiu diversas dramaturgias autorais, utilizando objetos, práticas tradicionais e estéticas próprias como dispositivos cênicos, consolidando-se como referência na valorização e salvaguarda da cultura popular caiçara.
É criador do Sistema Esfera Teatral e do Teatro Popular Caiçara, metodologias e linguagens autorais voltadas à criação, formação e pedagogia do teatro popular. Sua formação artística inclui oito anos de estudos nas Oficinas Culturais de São Sebastião – SP, além de cursos e vivências com grupos e profissionais como Teatro das Epifanias, Magno de Teatro, Marcelo Denny e Trupe Olho da Rua.
Com a Cia. O Castelo das Artes, integrou por quatro anos consecutivos o Programa de Qualificação em Artes – Ademar Guerra, das Oficinas Culturais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, além de participar do Projeto Direções (2018). Em 2023, junto de sua companheira de vida e trabalho artístico, inaugurou a Casa dos Saberes e Fazeres, sede da companhia, dedicada à criação, formação e difusão cultural.
No audiovisual, participou dos filmes O Magnata e Rio Santos, e protagonizou o longa O Pescador. Atuou em diversos festivais no Estado de São Paulo, com destaque para o Festival Vermelhos (2022), além de mostras, circulações em escolas, espaços culturais e comunidades tradicionais.
Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas Moções de Aplausos e Reconhecimentos da Câmara Municipal (2014, 2017 e 2021), sendo esta última pelo reconhecimento como Mestre da Cultura Viva. Em 2022, recebeu a Moção de Reconhecimento Popular como Mestre Caiçara. Foi contemplado com o Prêmio Histórico em Produção Teatral, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo, conquistou o 1º lugar no Prêmio Trajetórias (São Sebastião) e obteve o 2º lugar no FECICA – Festival de Circo de Caraguatatuba.
Na capital paulista, atua como artista convidado da Cia. Teatro da Investigação, integrando o elenco do espetáculo O-Homem-Mega-Fone. Atua como professor de teatro, desenvolvendo ações formativas, e é Diretor Artístico do Canal Caiçara, plataforma dedicada à difusão da cultura tradicional, da arte popular e da memória caiçara.




