Museu Vivo – Sou Caiçara

Museu Vivo – Sou Caiçara é uma instalação artística da Cia O Castelo das Artes e Culturas que exalta os elementos fundamentais da cultura caiçara por meio da arte performática. A obra homenageia mestres e mestras da tradição por meio de estátuas-vivas que evidenciam seus modos de vida, práticas culturais e saberes ancestrais relacionados à pesca artesanal, à agricultura, à culinária tradicional e a outros fazeres que estruturam o cotidiano das comunidades do litoral.

A apresentação cria um ambiente interativo, imersivo e expositivo que conecta o público aos saberes caiçaras e propõe uma reflexão sobre as tradições que sustentam a cultura local. Além das performances das estátuas-vivas, o espaço é composto por materiais e estruturas expositivas que complementam cada tema abordado, ampliando a compreensão sobre os contextos culturais e históricos dos saberes apresentados.

As estátuas e os elementos expositivos podem ser apresentados de forma individual ou em conjunto, criando diferentes narrativas estéticas a partir da composição do espaço. Cada apresentação é concebida pela Cia O Castelo das Artes a partir de informações prévias do evento, sempre priorizando a fidelidade à cultura caiçara e preservando as características conceituais e estéticas do projeto.


A Pesca de Siri

A homenagem à Pesca de Siri resgata as tradições da captura do siri, destacando as técnicas utilizadas desde a antiguidade até os tempos atuais. A performance evidencia os instrumentos, os gestos e as práticas dos pescadores caiçaras, permitindo ao público compreender a relação entre o homem, o mar e os ciclos naturais.

A composição homenageia um caiçara local que preserva a arte da pesca de siri e é reconhecido por sua contribuição para a manutenção desse saber tradicional.


A Pesca de Cerco

A homenagem à Pesca de Cerco aborda uma das práticas mais antigas entre os caiçaras, caracterizada pelo uso de redes para cercar cardumes, especialmente de tainha. A performance representa a conexão dos pescadores com o mar e a transmissão desse conhecimento entre gerações.

A obra presta tributo a um mestre caiçara que mantém viva essa técnica tradicional de pesca, destacando o caráter coletivo e cultural dessa prática.


O Agricultor Caiçara

A homenagem ao Agricultor Caiçara representa o trabalho no campo, o plantio e a colheita de alimentos essenciais para a sobrevivência da comunidade. A performance evidencia a relação dos caiçaras com a terra e as práticas agrícolas que fazem parte de seu modo de vida.

A composição homenageia um agricultor local que preserva práticas de cultivo tradicionais, reconhecendo a importância desse saber para a cultura caiçara.


A Paneleira

A homenagem à Paneleira aborda a tradicional confecção de panelas de barro, elemento fundamental da culinária caiçara. A performance evidencia a importância desse saber artesanal na preparação dos pratos tradicionais e na transmissão de técnicas manuais ao longo das gerações.

A obra homenageia Adélia Barsot, mestra caiçara que dedicou sua vida à arte de moldar panelas de barro, reconhecida como referência na preservação desse saber tradicional.


Sobre Henrique Cardim

HENRIQUE CÉSAR DOS SANTOS CARDIM
DRT 42.121/SP
Artista de multilinguagem, contador de histórias, ator, artesão, palhaço, malabarista, dramaturgo, diretor teatral e diretor artístico da Cia. O Castelo das Artes, companhia que fundou em 2004 (inicialmente Grupo Fazarte, passando a adotar o nome atual em 2012). Caiçara de nascimento, pertencente a tradicional família caiçara do litoral norte paulista, construiu sua trajetória artística a partir do território, da oralidade e da escuta sensível de sua comunidade.
Há mais de 20 anos desenvolve pesquisa continuada sobre a Cultura Tradicional Caiçara, transformando mitos, lendas, causos, modos de vida e saberes ancestrais em espetáculos teatrais, performances, contações de histórias, ações formativas e projetos audiovisuais. A partir de depoimentos de mestres, pescadores e moradores antigos, construiu diversas dramaturgias autorais, utilizando objetos, práticas tradicionais e estéticas próprias como dispositivos cênicos, consolidando-se como referência na valorização e salvaguarda da cultura popular caiçara.
É criador do Sistema Esfera Teatral e do Teatro Popular Caiçara, metodologias e linguagens autorais voltadas à criação, formação e pedagogia do teatro popular. Sua formação artística inclui oito anos de estudos nas Oficinas Culturais de São Sebastião – SP, além de cursos e vivências com grupos e profissionais como Teatro das Epifanias, Magno de Teatro, Marcelo Denny e Trupe Olho da Rua.
Com a Cia. O Castelo das Artes, integrou por quatro anos consecutivos o Programa de Qualificação em Artes – Ademar Guerra, das Oficinas Culturais da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, além de participar do Projeto Direções (2018). Em 2023, junto de sua companheira de vida e trabalho artístico, inaugurou a Casa dos Saberes e Fazeres, sede da companhia, dedicada à criação, formação e difusão cultural.
No audiovisual, participou dos filmes O Magnata e Rio Santos, e protagonizou o longa O Pescador. Atuou em diversos festivais no Estado de São Paulo, com destaque para o Festival Vermelhos (2022), além de mostras, circulações em escolas, espaços culturais e comunidades tradicionais.
Ao longo de sua trajetória, recebeu diversas Moções de Aplausos e Reconhecimentos da Câmara Municipal (2014, 2017 e 2021), sendo esta última pelo reconhecimento como Mestre da Cultura Viva. Em 2022, recebeu a Moção de Reconhecimento Popular como Mestre Caiçara. Foi contemplado com o Prêmio Histórico em Produção Teatral, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo, conquistou o 1º lugar no Prêmio Trajetórias (São Sebastião) e obteve o 2º lugar no FECICA – Festival de Circo de Caraguatatuba.
Na capital paulista, atua como artista convidado da Cia. Teatro da Investigação, integrando o elenco do espetáculo O-Homem-Mega-Fone. Atua como professor de teatro, desenvolvendo ações formativas, e é Diretor Artístico do Canal Caiçara, plataforma dedicada à difusão da cultura tradicional, da arte popular e da memória caiçara.